Incêndio: A Tragédia que o Papel Não Evita

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O perigo de incêndio vai além da falta de documentos, a prevenção exige profissionais sérios para garantir a segurança
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AVCB e a Segurança Contra Incêndio

Recentemente, mais um incêndio de grandes proporções em um centro comercial de São Paulo reacendeu o debate sobre a segurança. A pergunta que não quer calar é: o que teria acontecido se a tragédia ocorresse em um edifício residencial ou comercial, com centenas de pessoas? Essa é uma reflexão que síndicos, gestores e moradores precisam fazer urgentemente.

O incêndio, infelizmente, colocou em evidência um problema crônico: o descaso com a segurança. A tragédia nos lembra que ter um AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) não garante, por si só, que as instalações do seu prédio estejam realmente seguras e de acordo com as normas técnicas. Um documento, por mais legal que seja, não é e nunca será sinônimo de segurança.

Incêndios em Condomínios: O Perigo da Falsa Segurança

A busca por preços baixos e a contratação de “profissionais” que trabalham no “achismo” são fatores de risco inaceitáveis em condomínios. As empresas que oferecem um “combo” de serviços – de pintura a engenharia elétrica – muitas vezes não têm o conhecimento técnico aprofundado em cada área. A segurança, em especial a elétrica e a de combate a incêndio, exige especialização, responsabilidade e constante investimento em conhecimento.

Leia também – Prevenção e Combate de Incêndios no Condomínio

Em um edifício, cada detalhe é crucial. Um cabo elétrico inadequado, uma instalação malfeita ou a falta de manutenção nos extintores e hidrantes são bombas-relógio que colocam em risco a vida de todos. A ABNT NBR 13570, por exemplo, estabelece padrões rigorosos para instalações elétricas em locais de grande circulação. Esses padrões precisam ser seguidos à risca, e a responsabilidade por isso recai sobre o corpo diretivo do condomínio.

Incêndio: Fiscalização e Responsabilidade

O caso do centro comercial, irregular desde 2008, levanta a questão da fiscalização. Se os órgãos competentes não agem, a responsabilidade se torna compartilhada. Síndicos e administradoras não podem se contentar com um AVCB na parede. É preciso ir além, fiscalizar as instalações e garantir que a manutenção preventiva seja feita por profissionais sérios e capacitados.

Os moradores e inquilinos também têm um papel importante. Ao invés de apenas reclamar da taxa de condomínio, questionem sobre a segurança do prédio. Perguntem sobre a validade dos extintores, o estado dos hidrantes e a regularidade das instalações elétricas. Saibam quem está sendo contratado e exijam referências sólidas. A segurança do prédio é uma responsabilidade de todos.

Orestes Rodrigues Jr. faz comentários sobre o assunto:

Um papel não é tudo, lembre-se disso!

O incêndio de grandes proporções atingiu um centro comercial conhecido em São Paulo e, mais uma vez, o descaso com a segurança elétrica. Agora eu te pergunto:

  • E se o local estivesse com milhares de pessoas?
  • Mas será apenas a parte elétrica irregular?
  • Os sprinklers estavam em ordem?
  • Se o AVCB, vencido recentemente, estivesse regular, isso não teria acontecido?

Vale lembrar que o prédio onde moramos, a empresa na qual trabalhamos, a padaria da esquina, todos precisam possuir o AVCB – Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. No entanto, ter um documento não quer dizer que as instalações, de modo geral, estejam de fato atendendo as normativas brasileiras, sabia disso?

Não é alarmismo, é realidade

Como exemplo, para cada instalação existe um tipo de cabo específico, uma forma de instalar, como no caso da ABNT NBR 13570 – Instalações elétricas em locais de afluência de público.

A busca por preços competitivos e profissionais que trabalham no “achismo”, por empresas que fazem o “combo” — ou seja, que trabalham com extintores, sistemas de segurança, engenharia elétrica e civil, pintura e demais serviços — precisam de uma cautela muito especial, pois nem todos estão de fato preocupados em investir pesado no conhecimento, mas no lucro.

Muitas vezes, “profissionais” que não são profissionais, mas apenas um “assinante” de um documento legal, mesmo ele sendo “legal”, não é e nunca será sinônimo de segurança, compreendem?

Nos diz que o problema é antigo, mas a rede pouco divulgava. Afinal, todos querem viver no “País das Maravilhas”, não importa se a instalação do show esteja segura ou não, as pessoas querem de fato se divertir e confiam nas instalações daquele local.

Por isso, um recado muito importante: saiba de fato quem você está contratando; pesquise detalhadamente, busque referências sérias, não acredite que todo logo no site da empresa de fato eles atendem.

Agora, reforçando o caso do centro comercial, desde 2008 está de forma irregular. Onde está a fiscalização? Aliás, até hidrantes estavam com problemas na abertura, assim como aconteceu com aquele prédio que ficou em chamas por alguns dias, na mesma região, lembra?

Agora, a pergunta final: o que você, cidadão, leitor, pagador de impostos, faria se estivesse lá dentro neste momento?

A gente só sente a dor quando passamos por ela!

Sobre Orestes Rodrigues Jr: Diretor-Executivo na Abrapeel | Diretor na Abracopel | Executive Assistant Fluke Academy | 1º em Para-Raios no IN | 1º SSI | Consultoria e Gestão | Palestrante | Colunista | Articulista | Estrategista

Por: Orestes Rodrigues Jr